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Intuição pode ser usada para direcionar investimento social privado
2009/02/27 - 17:01:00h

Em sua palestra no Módulo 3 do curso Foundation School, Tchozewski destacou que, na filantropia, existe a tendência de se acreditar apenas em soluções cujo valor pode ser medido, como num modelo científico de experimentação. “Nem tudo o que pode ser contado conta. E nem tudo o que conta é contado”, disse o diretor executivo, parafraseando o físico Albert Einstein. Assim, defendeu a inserção de fatores imensuráveis no processo de decisão.

Ainda que seja um assunto polêmico, o diretor executivo avaliou que a intuição pode ser encarada como a capacidade de antecipar uma oportunidade. Aplicada ao investimento social privado, a percepção pode colaborar no discernimento, sobretudo quando as informações disponíveis são incompletas ou quando a decisão precisa ser muito rápida. No entanto, o uso da intuição não pode estar desvinculado de análises racionais, que ajudem a vislumbrar o impacto a ser causado. Isso porque o uso exclusivo da intuição traz ameaças, como incertezas, inexatidões, generalizações e estereótipos – tanto na escolha quanto na implementação do investimento social privado. Cabe ao doador, portanto, dosar a medida correta. “Aqueles que têm sucesso, não fazem apenas o que é certo, mas experimentam a sua intuição”, afirmou.

Para o diretor executivo, os problemas filantrópicos são tanto enigmas, passíveis de solução lógica conhecida, quanto mistérios, cujas soluções ainda não são de domínio da humanidade. Ao citar obras do escritor Malcolm Gladwell (como Ponto de desequilíbrio e Blink – A decisão num piscar de olhos), ele afirmou que as causas socioambientais são muito mais bem resolvidas por equipes. “Ninguém sozinho é tão inteligente quanto um grupo de pessoas”, disse.


Pequenos notáveis

O modelo de negócio do GGF é pulverizado. Anualmente, o fundo realiza 750 doações para 120 países.  Conta com uma rede mundial de voluntários, que definem os projetos a ser localmente apoiados, com base na expertise e impactos prévios de cada proposta. São destinados pequenos investimentos, que variam de 500 dólares a 5 mil dólares. Com isso, o fundo consegue atingir um grande número de instituições, que utilizam o recurso para se estabelecer e, a partir daí, evoluir autonomamente.

O Vitae Civilis – Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz –, é uma das organizações que recebeu doação do GGF no Brasil. Desde 1989, o instituto já atuava com o desenvolvimento sustentável, mas só com o investimento de 2,5 mil dólares do Global Greengrants Fund, em 1993, foi possível alugar um escritório, envolver voluntários e profissionais  e ampliar o trabalho. Dez anos depois, Vitae Civilis passou a ter orçamento anual 200 vezes superior ao aporte inicial e uma equipe de mais de dez funcionários. “O valor pode ter sido pequeno, mas foi fundamental”, conta Rubens Born, coordenador-executivo do instituto. “Sem esse modelo de investimento social, os pequenos grupos não teriam a chance de se incluir”, avalia. Desde então, o Vitae Civilis recebeu vários prêmios, como o ToP Social 2008 da Associação de Dirigentes de Vendas do Brasil (ADVB) e o Henry Ford de Conservação Ambiental, em 1997, por sua atuação na proteção ambiental associada à geração de renda e empregos.

No Brasil, o Centro de Apoio Sociambiental (Casa) é o parceiro do GGF na identificação de potenciais beneficiários do investimento social. Em geral, os favorecidos atuam em causas socioambientais, que potencializa a atuação de grupos locais tanto para garantir sua sobrevivência como na preservação dos ecossistemas onde habitam, como a Mata Atlântica e o Pantanal.  Os projetos são selecionados por um conselho de especialistas, que orientam a atuação do Casa em toda a América do Sul.  Esse olhar regional produz sinergias entre projetos apoiados, ampliando, assim, os resultados individuais de cada apoio.

Maria Amália Souza, diretora-executiva do Casa, explica que a seleção ocorre a partir da rede de relacionamento dos conselheiros e do mapeamento de pessoas, movimentos sociais e instituições informais. Critérios como liderança local, conhecimento específico e experiência são levados em conta. “Intuímos que ali [no projeto ou ação] existe uma semente e investimos”, conta Maria Amália. “Até hoje não houve caso em que o investimento não tenha valido a pena”, completa.

No terceiro módulo do curso Foundation School, palestraram ao lado de Tchozewki Ana Beatriz Patrício, superintendente da Fundação Itaú Social, e Shannon St John, do Instituto Synergos. A primeira edição do curso aconteceu no ano de 2008, a partir da parceria do Instituto para o Desenvolvimento para o Investimento Social (IDIS) com a Charities Aid Foundation (CAF) e o apoio da Mott Foundation.


Autor:
Idis
Fonte: www.idis.org.br