Fortalecendo Organizações e Apoiando Lideranças

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O Fundo CASA trabalha para fortalecer a democracia, aumentando o alcance da voz e a capacidade de articulação de grupos comunitários e associações que trabalham não só com mecanismos de participação política, mas também com as estratégias que permitam a criação de influência crítica, além de monitorar e questionar as políticas públicas.  Apoia entidades que propõem e demonstram a viabilidade de  alternativas às políticas existentes.

Empoderamento dos pescadores em Miranda – MS

O projeto de Fortalecimento Institucional realizado com a Associação de Pescadores Artesanais de Miranda – MS permitiu não só a expansão da sede da associação, mas também articulações importantes. A parceria estabelecida com o Conselho Regional de Emprego possibilitou a Associação de Pescadores ser a primeira de Mato Grosso do Sul com autonomia para conceder o seguro-desemprego. Uma centena de pescadores conseguiu o seguro-defeso a partir de 2007. O presidente Liezé Xavier, participou de políticas públicas, discussões e comissões em MS. Após o apoio do Fundo CASA e a construção de projetos, Liezé foi convidado para ser conselheiro do Conselho Consultivo da Reserva da Biosfera do Pantanal.


Fortalecimento de capacidades: Nascimento de novas organizações e a sobrevivência de projetos importantes, o resultado é um verdadeiro envolvimento das pessoas nas soluções de seus próprios problemas e maior autonomia de suas comunidades.


Madeira Vivo em Rondônia

O Fundo CASA notou a importância de uma organização em Rondônia com alcance político e ambiental acima da média, por este motivo, apoiou a criação do Instituto Madeira Vivo – IMV. Hoje, a entidade é uma referência para a região, trabalhando na defesa dos rios e córregos da Amazônia. Analisa criticamente e questiona a lógica por trás do desenvolvimento que tem sido implementado na região, propondo soluções mais adequadas, com base técnica e estudos científicos.

O IMV informa a população e facilita o envolvimento da sociedade local na discussão das questões que provocam impacto direto. Para isso, tem produzido há anos um programa de rádio que é transmitido para comunidades florestais de toda a Amazônia, mantendo essas comunidades remotas informadas sobre temas que afetam suas vidas.  Um serviço comunitário também apoiado pelo Fundo CASA.


Fortalecimento Institucional: pequenos investimentos que geram grandes resultados.


Fortalecimento na fronteira agrícola de Mato Grosso

A compra de um computador e outros materiais permitiram o fortalecimento institucional da Organização Luverdense Ambiental – OLUMA, localizado em Lucas do Rio Verde (MT), região de fronteira agrícola onde o agro negócio avança a todo vapor. Os equipamentos conseguidos através do apoio, foram usados para produzir informação para alertar a comunidade sobre as graves questões que a afetam.

A organização conscientizou a comunidade, através de seminários, sobre os problemas sócio-ambientais da região.Trabalhando em rede, a OLUMA estabeleceu parcerias com entidades de pesquisa para participar de importantes investigações sobre o impacto que o uso de pesticidas na agricultura que causa sérios danos ao meio ambiente e à saúde humana.

Fórum Suape: uma crítica ao modelo de desenvolvimento insustentável

O Fórum de Suape é fruto de um encontro promovido pela sociedade civil e movimentos sociais que reuniu militantes de entidades, organizações, movimentos sócio-ambientais, estudantes, pesquisadores, moradores do entorno de Suape, entidades locais, estaduais e também nacionais. Todos com o mesmo objetivo: analisar criticamente o modelo de desenvolvimento adotado pelo Estado na construção do Complexo de Suape.

Segundo dados oficiais, foram investidos no Complexo mais de 60 bilhões de reais, recursos públicos e privados. Montante que poderia ser mais bem aplicado e distribuído em empreendimentos descentralizados, menores, sustentáveis, atingindo um número maior de municípios e de pessoas, segundo resultados da pesquisa. O estudo também conclui que a atração e o incentivo para que indústrias “sujas” se instalem em Suape foi outro erro da proposta desenvolvimentista predatória, assim como a questão da empregabilidade de mão de obra local que deixa muito a desejar.

O Fórum recebeu apoio do Fundo CASA para defender e apoiar as populações tradicionais nativas que vivem no entorno do Complexo Portuário e Industrial, contra as injustiças sócio-ambientais que estão sujeitas com as instalações dos grandes empreendimentos implantados naquela região. Democratizar as informações sobre o modus operandi  das expulsões dos moradores atingidos e dar visibilidade as agressões do meio ambiente, com os desmatamentos do que resta ainda da Mata Atlântica, manguezais e restingas, e o envenenamentos dos mananciais (riachos e pequenos rios) que cortam a região.

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Saiba mais: http://forumsuape.ning.com/


Consolidação gradual para gerar mudanças: continuidade, resultados dos processos observados em organizações e suas comunidades, territórios, biomas e modo de vida.


O Fundo CASA acredita que a construção da democracia é um trabalho de consistência, paciência e solidariedade acima de tudo.  Também parte da premissa de que não há soluções para os grandes biomas sulamericanos sem o engajamento completo das populações locais, comunidades de base, organizações da sociedade civil organizada e fortalecida.  Portanto, seus apoios não são de projetos isolados e desconectados.

Ao longo de 10 anos, pode-se perceber muitos processos contínuos apoiados pelo Fundo CASA que consolidaram verdadeiros movimentos regionais legítimos.  Apoiando redes, alianças, fóruns locais, regionais e nacionais, assim como organizações individuais dentro desses coletivos, tem sido a receita mais eficaz para os apoios do Fundo Socioambiental CASA.

Esses coletivos e grupos locais obtém seus primeiros apoios do Fundo CASA, e ao longo do tempo vão tendo condições de acessar outros recursos, amadurecendo sua atuação e ganhando prestígio, reconhecimento, e representatividade.  Alguns exemplos históricos são:  FORMAD, FAOR, Fórum Carajás, FBOMS, IMV, Movimento Xingu Vivo, Movimento Tapajós Vivo, Forum Teles Pires, Associação Kisedje, Movimento Patagônia Sin Represas, e muitos outros.


Comunicação e Acesso a Informação: comunicar, participar, preservar e desenvolver.


Ferramentas de Comunicação para comunidade isoladas

O ribeirinhos da Associação Serra do Amolar e Barra do São Lourenço, localizadas no Pantanal (geograficamente isolada, a cidade mais próxima fica a 100 km de distância), instalaram uma antena e um rádio comunicador na escola da comunidade. Agora, a associação pode estabelecer contato com a cidade, receber informações sobre reuniões, pedidos de apoio em situações de emergência, tais como problemas de saúde, etc. Com o aumento da articulação, a associação foi capaz de chegar ao Conselho de Educação de Corumbá para reivindicar a reformar a escola que esteve fechada por oito meses, devido à precária infra-estrutura, a fim de receber de volta os alunos.  Obtiveram também placas solares para abastecer a escola de energia e manter canais de comunicação mais abertos.

A  Associação Cultural Rádio Comunitária Do Bairro De Ipanema foi apoiada para executar oficinas de Ecocomunicação: Comunicação, Democracia e Sustentabilidade Socioambiental.  O presente projeto surge como uma alternativa à lógica excludente dos veículos de comunicação de massa. A cobertura unilateral, fragmentada, pouco esclarecedora, quando não inteiramente tendenciosa que esses veículos reservam às temáticas da cidadania, da democracia na comunicação e da sustentabilidade socioambiental é o principal problema que o projeto pretende enfrentar.

Promoveu  oficinas de radialismo comunitário, com a produção de reportagens, edição e apresentação de programas tendo como foco a temática da sustentabilidade socioambiental nos contextos locais, para proporcionar aos envolvidos, sobretudo os jovens, a possibilidade de participar de uma experiência coletiva de produção cultural estimulando o protagonismo e a capacidade crítica em relação aos meios de comunicação. Ainda promoveu a sustentabilidade socioambiental e contribuiu na construção de uma ética da solidariedade, de respeito à dignidade humana contra a violência.


Sinergia e articulação das ações locais, regionais e nacionais: alianças e vitórias coletivas.


Rede Mangue Mar Bahia

O apoio do Fundo CASA para a criação da Rede Mangue Mar Bahia e para o acúmulo institucional do Movimento Cultural Arte Manha, localizado em Caravelas (BA), expandiu o alcance da articulação destas organizações. Elas uniram forças com outras instituições da Coalizão SOS Abrolhos, que foi vitoriosa na luta pela criação da Reserva Extrativista (Resex) de Cassurubá.

A Resex impediu a implementação de uma fazenda de camarão em Caravelas, que causaria um grande impacto ambiental sobre as populações costeiras e as regiões de reprodução de vida marítima, os manguezais.

Apoio a novos articuladores

A 4 Cantos do Mundo, localizado em Belo Horizonte (MG), e o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais de Porto Alegre, são exemplos de ONGs formadas por jovens que recebem apoio do Fundo CASA. As instituições executam projetos inovadores e desenvolvem alternativas para o ambiente urbano: “Rede Terra Viva” no sul e o movimento “Como viver bem na cidade” e em Minas Gerais.  Além de práticas sustentáveis, esses jovens realizam um importante papel político por meio do trabalho em fóruns, coletivos e associações socioambientais.

ÁREAS DE ATUAÇÃO