Contexto

Para atender a crescente demanda por apoio e capacitação das pequenas e médias organizações sul-americanas, o Centro de Apoio Sócio-Ambiental, a partir de uma visão intercontinental, tem realizado uma série de esforços para ampliação de seu trabalho. Estreitou relações com Global Greengrants Fund, aumentando assim as articulações e sinergias com os Conselhos Cone Sul e Andes e também com Aliança de Fundos, que também possui instituições do Canadá, México, Sudeste Asiático e Holanda. Dessa maneira, o CASA tem apoiado grupos que monitoram as ações e decisões no território sul-americano, executam soluções inovadoras para os desafios socioambientais e ainda comunidades afetadas por mega-empreendimentos. A cada passo a necessidade do CASA se tornar um grande investidor social na América do Sul é mais evidente.

A América do Sul abriga regiões montanhosas, semi-áridas, costeiras, de pampas e de florestas tropicais, além da maior bacia hidrográfica do mundo, a Bacia Amazônica. Essa diversidade não se resume às características físicas do território. Povos e culturas dos países sul-americanos buscam manter suas identidades, costumes e habitats frente às tendências globalizadoras e ao crescimento dos centros urbanos.

Os temas ambientais emergem na agenda dos governos e do setor empresarial quando pesquisas indicam a influência humana nas mudanças do clima, a importância de se evitar o desmatamento e de se adotar práticas mais sustentáveis. Por outro lado, ambientes são profundamente transformados em prol do desenvolvimento unicamente econômico dos países sul-americanos.

Em dezembro de 2009, durante a 15ª Conferência das Partes (COP 15) da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, acadêmicos e ativistas ressaltaram a importância de manter as florestas em pé e as comunidades nativas nesses locais. Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana e Nobel da Economia de 2009, afirmou: "Se os povos indígenas e nativos no mundo em desenvolvimento não forem reconhecidos e não tiverem garantidos seus direitos claros, teremos mais desmatamento".

A partir desse contexto, o conselho do CASA analisa as questões políticas, econômicas e as ameaças socioambientais para definir estratégias que fortaleçam a democracia e a autonomia da sociedade civil na América do Sul.

Leva-se em consideração:

  • O crescimento econômico acelerado está diretamente relacionado com a degradação dos recursos naturais. O Brasil já se tornou um ator econômico de peso. O fluxo de investimentos atingiu níveis recordes e a exportação mostra sinais de recuperação pós-crise. No entanto, esta exportação e retomada do crescimento econômico depende de recursos naturais chamados de "renováveis", tais como agrocombustíveis, derivados em grande parte da cana de açúcar (etanol) e soja, ou energia hidroelétrica. Apesar de "renováveis", a disputa pelos recursos naturais e a escala de produção os torna automaticamente insustentáveis em termos ambientais e econômicos.
  • A Iniciativa de Integração Regional Sul-Americana (IIRSA) foi adotada nas agendas dos governos da região. As ONGs, movimentos sociais e cientistas criticam os impactos sociais, econômicos e ambientais dos projetos, que não levam em conta as necessidades das populações afetadas, a alteração dos regimes das águas dos rios, o aumento do desmatamento e a poluição ambiental. Apesar das constantes críticas e comprovações dos enormes danos sociais e ambientais de tais obras, os governos de todos os países sul-americanos seguem adiante com um conjunto de obras gigantescas, voltadas para ajustar as economias da região aos interesses do mercado globalizado e de grandes empresas. O CASA tem apoiado sistematicamente, em toda América do Sul, projetos que objetivam levar informações para que as comunidades tenham conhecimento, e para lutar pelos seus direitos.
  • Vimos a mudança climática se transformar em verdade incontestável não apenas devido a COP 15, mas principalmente pelos fenômenos e adversidades climáticas cada vez mais freqüentes em todo o mundo. Neste tema, é preciso atenção com as falsas soluções e emergentes mercados especulativos. Esforços para mobilização de fundos e apoios emergenciais para comunidades afetadas por extremos climáticos serão necessários. O CASA tem apoiado uma série de projetos de resiliência local frente às mudanças no clima.

As iniciativas de transformações e alternativas locais, apoiadas pelo CASA, são importantes por que:

  1. são resistentes a choques nacionais e internacionais;
  2. são soluções que funcionam numa escala humana, e não uma solução "tamanho único" para todos;
  3. são como laboratórios de experimentação de novas práticas e alternativas;
  4. é mais fácil para as pessoas verem as conexões dentro de mudanças reais e locais.

Existe muito dinamismo na descoberta e execução dessas alternativas: jovens criativos que desenvolvem ações inovadoras; pequenos agricultores gerando sua própria energia sem impactar o ambiente; moradores urbanos refletindo sobre mudanças climáticas e revisão de comportamentos.

Algumas novas áreas priorizadas pelo CASA são o ambiente urbano – já que 70% da população da América do Sul mora em áreas urbanizadas - e os problemas marítimos das costas atlântica e pacífica. Há, entretanto, áreas que permanecem em foco, como biocombustíveis, agroecologia, mudanças climáticas e povos nativos. Está em processo de criação, por exemplo, o Fundo Latino Americano de direitoa indígenas.

Ao identificar grupos e movimentos cujos objetivos são garantir o equilíbrio do ambiente e a qualidade de vida, o CASA apoia projetos que, embora pareçam pequenos, juntam-se a outras iniciativas para criar um efeito sinérgico de resultados com impactos locais, regionais e globais.

Saiba mais em Impactos e Resultados.

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