Impactos e Resultados
A capilaridade da atuação do CASA no território Sul-Americano alcança resultados concretos na conservação ambiental e impactos positivos na vida de diversas comunidades.
Seja em meio rural, urbano ou através do apoio a mobilizações e movimentos, o CASA fortalece organizações e ajuda a criar condições para que projetos socioambientais relevantes sejam levados adiante na diversidade de biomas e populações da América do Sul.
A seguir alguns exemplos que demonstram como quantias pequenas são capazes de alcançar significativos resultados.
Ambiente urbano: grandes problemas ambientais precisam de soluções criativas
Coleta de óleo vegetal em Mogi das Cruzes, SP
Com o projeto RENOVE - Despoluição do rio Tietê através da coleta de óleo vegetal, a Bio-Bras sensibilizou a população sobre os malefícios de despejar óleo no rio Tietê, diminuindo consideravelmente esta prática.
Além disso, criou postos de coleta, somando recolhimento de 22 mil litros de óleo em 2008.
O Rio Tietê nasce na Serra do Mar, região do domínio da Mata Atlântica, e percorre o Estado de São Paulo abastecendo milhares de casas. Um dos maiores desafios da população e do governo é despoluir o rio.
Horta Comunitária em Porto Alegre, RS
A organização Comunicarte Terra ampliou as atividades da Horta Comunitária Jardim Gordo, situada na Vila Renascença, região norte de Porto Alegre. Além de envolver a comunidade em oficinas e passeios educativos, o projeto propiciou o despertar para a necessidade da separação do lixo para coleta seletiva e o redesenho dos espaços urbanos para a convivência produtiva, a melhoria no aproveitamento dos recursos naturais (água, vento, sol) e a produção de alimentos na cidade.
Agricultura familiar: sementes baseadas na união dão frutos para Mata Atlântica e economia solidária
Comunidade Ama Lapinha em Morro do Pilar, MG
Em 2008 e em 2009, a Associação de Moradores, Agricultores e Apicultores da Lapinha (Ama Lapinha) recebeu apoio do CASA a fim de valorizar o modo de vida rural em importante área para a conservação, no entorno do Parque Nacional da Serra do Cipó.
Primeiro, foi construída a Casa do Feitio para produção de farinha, mel e melado. Depois, os agricultores começaram a participar de uma série de movimentos, dentre eles a Rede Terra Viva, também apoiada pelo CASA, que realiza feiras presenciais e outras alternativas estruturais para ampliar o consumo consciente, a economia solidária e a produção agroecológica e orgânica no entorno de Belo Horizonte.
Sempre movimentando e buscando novas parcerias, a Ama Lapinha fez importantes articulações e hoje possui um grande projeto de reflorestamento e conservação de nascentes. Construíram um viveiro de mudas, e agora aliam a produção agroecológica com a preservação e restauração da Mata Atlântica.
Movimentos: força coletiva em sinergia gera efetivo monitoramento social
Monitoramento da expansão da atividade mineradora
Os países sul-americanos têm recebido investimentos de infraestrutura muitas vezes questionáveis quanto ao impacto socioambiental na região. Com a justificativa de impulsionar o desenvolvimento econômico, há crescente incentivo à atuação de grandes indústrias de mineração.
As atividades mineradoras têm sido monitoradas pelas comunidades locais e pelo terceiro setor a fim de garantir os direitos humanos das populações atingidas, a sobrevivência dos costumes tradicionais e a proteção dos recursos naturais. Exemplo disso é o Observatório de Conflitos da Mineração da América Latina (OCMAL), que reúne mais de 40 organizações espalhadas do México a Patagônia. Esta articulação fortalece o processo de difusão de informação, apoia campanhas em prol das populações afetadas pela extração industrial dos minérios, promove ações de solidariedade e reflete sobre a legislação vigente.
Fazem parte do Observatório as instituições citadas abaixo.
Em 2008, o projeto Análise da expansão da mineração na região norte do Peru e sua relação com o plano da IIRSA do Grupo de Formação e Intervenção para o Desenvolvimento Sustentável – GRUFIDES fez um levantamento cartográfico das concessões mineradoras, reuniu informações e comunicou às comunidades os impactos causados pela atividade no território peruano.
No Chile, o Comitê de Defesa do Vale de Chuchiñi Fecha e a Organização Cidadania Ambiental de Salamanca – OCAS também foram apoiados pelo CASA para tratar do tema. No Brasil, o Grupo de Trabalho Articulação Mineração e Siderurgia lidera as discussões.
Belo Monte
A Hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal brasileiro, mas tem sido discutida há duas décadas. Nos últimos anos, lideranças indígenas e movimentos sociais, como Movimento das Mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade – MMTACC, têm organizado seminários e manifestações em defesa do rio Xingu.
Em 2009, a organização do Pará organizou atividades para a análise dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) da hidrelétrica, importante ferramenta no processo de licenciamento de qualquer empreendimento.
Em outubro do mesmo ano, um painel de especialistas concluiu que o estudo ignora a dimensão dos impactos causados ao meio ambiente. Entretanto quatro meses depois, a licença foi concedida e, em 21 de abril de 2010, ocorreu o leilão de Belo Monte.
Durante o processo de discussão sobre o licenciamento, foi criado o Movimento Xingu Vivo para Sempre a fim de expressar a posição da sociedade organizada e dar voz às populações indígenas. O Movimento passou, portanto, a pautar o debate sobre Belo Monte junto às comunidades e povos indígenas e a representá-los, contribuindo para maior reflexão sobre o empreendimento.
A articulação Xingu Vivo para Sempre realizou oficinas de sensibilização, organizou duas caravanas para Brasília, permitindo a participação das comunidades locais e povos indígenas nas audiências públicas convocadas pelo Ministério Público Federal e o Senado, e fortaleceu o movimento em defesa dos direitos humanos. Tornou-se, assim, referência nacional e internacional em defesa do rio Xingu e das populações tradicionais.
Em casos como este, o CASA busca apoiar projetos que garantam a participação das populações mais afetadas nas decisões relacionadas diretamente aos seus territórios e modos de vida – participação essa garantida na constituição brasileira mas raramente respeitada pelos órgãos competentes. Apoiando a participação cidadã dentro da lei, o CASA garante a esses grupos de base voz no exercício da democracia.
Conservação da Biodiversidade: inteligência e ação humana para a conservação
Entre as estratégias de conservação da biodiversidade, destacam-se as alianças entre organizações que buscam capacitar e envolver comunidades, ações de recuperação de áreas degradadas e estudos de fauna e flora.
Pacto Amazônico
Em 2008, a Aliança para o Desenvolvimento Amazônico Sustentável – Pacto Amazônico desenvolveu o projeto Conselho da Floresta. A partir das ações previstas, foram concluídos os diagnósticos de reconhecimento das comunidades do interior e entorno da Floresta Nacional de Humaitá, e realizadas dez oficinas de sensibilização para a formação do Conselho Consultivo da unidade de conservação.
A Floresta Nacional de Humaitá, criada em 1998 no Estado do Amazonas, possui área de mais de 460 mil hectares, apresentando rica biodiversidade e presença de comunidades tradicionais e ribeirinhas. Na área da unidade de conservação está o Rio Madeira, importante via de escoamento da produção, principalmente de madeira. Também está próxima à BR-319 que liga Porto Velho a Manaus.
Recuperação da Área de Preservação Permanente em São Pedro do Paraná, PR
No noroeste do Estado do Paraná, a organização Paraná Guará desenvolveu um projeto de recuperação da Área de Preservação Permanente (APP) de duas propriedades do rio Juriti para formação do Microcorredor Ecológico Juriti/Paraná. Com o apoio do CASA, houve descompactação do solo, plantio de 10 mil mudas, erradicação de espécies exóticas invasoras e conscientização ambiental de proprietários de terra, estudantes, professores e da comunidade.
O rio Juriti, afluente do rio Paraná, segunda maior bacia de drenagem da América do Sul, está em uma ecorregião caracterizada pela transição do pantanal, floresta estacional semidecidual e cerrado.
Fortalecimento da Área de Proteção Ambiental, Bella Unión, Uruguai
Em 2009, o Grupo para a Proteção Ambiental Ativa – GRUPAMA executou projeto para melhorar a estrutura física e de pessoal do Centro de Visitação de Rincón de Franquia, completar o levantamento de fauna do parque, realizado pela Universidade da República (Universidad de la República), e fortalecer o Movimento Transfronteiriço de ONGs Ambientalistas.
Foram realizadas capacitações sobre ecoturismo e turismo rural para jovens e divulgados os dados sobre a biodiversidade local para a comunidade.
A região de Bella Unión está na tríplice fronteira (Uruguai, Argentina e Brasil) e apresenta grande diversidade biológica, representantes da fauna “chaco-missioneira” e de espécies lenhosas endêmicas (só ocorrem nesta parte do Uruguai). Mesmo diante de estudos científicos, as áreas não estão protegidas legalmente, o que é possível com a criação de unidades de conservação. Já quanto à economia, Bella Unión gira em torno da cana de açúcar e, em menor escala, da horticultura.
Capacitação: fortalecimento institucional por meio da educação
Conjunto de associações comunitárias de Porto Alegre (Porto Alegre, RS)
Em 2009, o CASA apoiou a participação de representantes de comunidades da capital gaúcha no Curso Cidades em Transição - construindo capacidade entre os atores da comunidade para a transição em Porto Alegre. A partir de uma visão crítica sobre qual desenvolvimento a população quer que ocorra na cidade, o grupo criou uma agenda de ações coletivas.
O movimento das Cidades em Transição, ou Transition Towns, fundado pelo inglês Rob Hopkins, defende a transformação das cidades em modelos sustentáveis, mais integradas à natureza e resistentes a crises externas, fortalecendo a economia local. O foco inicial é engajar pessoas para que planejem e executem ações que levem à sustentabilidade da cidade onde vivem, como, por exemplo, a iniciativa da Horta Comunitária Jardim Gordo, em Porto Alegre.
Comunidades Indígenas: patrimônio a ser protegido
Associação Indígena Kisedje – AIK (Parque Indígena do Xingu, Canarana, MT)
A Associação Indígena Kisedje (AIK) foi apoiada em 2006 para trabalhar com a manutenção da segurança alimentar por meio do plantio das variedades tradicionais de pequi, mangaba, jenipapo e urucum. Winti Suyá, representante da associação, conta orgulhoso: “os pequis já estão desse tamanho aqui (com as mãos na altura de sua cabeça)”. Os Kisêdjê estão colocados geograficamente como um foco de resistência ao modelo de ocupação regional no entorno do Parque Indígena do Xingu. Sua aldeia é vizinha de fazendas de pecuária e grandes plantações de soja. Enfrentam o desafio de assegurar a sustentabilidade presente e das futuras gerações, buscando reforçar e atualizar suas práticas tradicionais de subsistência. Dessa forma, parte do trabalho é dialogar com a vizinhança sobre a conservação dos rios, matas ciliares e fragmentos de florestas.
Os pequis dos Kisedje
A presença do parceiro Instituto Socioambiental (ISA) na região possibilitou, em 2007, o encontro histórico entre AIK e a Associação Agroecológica Estrela da Paz, também apoiada pelo CASA em 2006 para fomentar a cultura agroflorestal no assentamento Brasil Novo. Na oportunidade, índios e agricultores manifestaram preocupação com o acelerado avanço do desmatamento, mas também conhecimentos sobre a regeneração das matas ciliares e introdução de agroflorestas. Ambas as associações apresentaram resultados e conhecimentos adquiridos com a prática: sistemas agroflorestais em produção (frutas nativas, farinha, açúcar mascavo, melado) e matas ciliares e áreas antes degradadas em elevado estágio de recuperação. O trabalho desses grupos pode ser definido como “sofisticado”, por ser manual e com a utilização de técnicas tradicionais aliadas com novas tecnologias ambientais.
Você pode apoiar a ampliação desses impactos. Entre em contato e contribua: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.







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