Com capacidade de escala, mobilizamos e destinamos recursos que dinamizam soluções locais protagonizadas pelas populações que têm a experiência e o conhecimento para proteger o planeta, com suas culturas e modos de vida, tanto em territórios rurais e florestais quanto em contextos urbanos. Nosso trabalho fortalece a defesa dos direitos socioambientais em todo o país.
Confiamos na capacidade realizadora de cada grupo que apoiamos. E eles em nós. Essa rede de confiança — sólida, viva, sem hierarquias — costura nossa presença e capilaridade nos territórios.
Conheça alguns dos quase cinco mil projetos apoiados pelo Fundo Casa
Biomas em regeneração: depois das enchentes no RS, mulheres mostram como agroflorestas medicinais podem transformar territórios e reescrever futuros
Ingu helü: no Alto Xingu, cartilha educacional preserva a cultura, a espiritualidade e a língua do povo Kuikuro
Em Ponta do Tubarão, banco comunitário é alternativa para sustentar modo de vida tradicional de pescadores e marisqueiras
Em Coremas (PB), mulheres quilombolas se tornam professoras em oficinas de cultivo de hortaliças e saberes da terra
Conheça a BRIVAC, brigada voluntária da Chapada dos Veadeiros que protege o Cerrado do fogo e espalha conhecimento sobre combate a incêndios
Das frutas amazônicas ao fortalecimento comunitário: o trabalho da Cooperativa de Surucuá abre novos caminhos de futuro à beira do Rio Tapajós
Energia limpa da favela para o mundo: a Revolusolar, no Rio de Janeiro, mostra que a transição energética justa começa das periferias para o centro
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Local: Diferentes regiões do Rio Grande do Sul
Bioma: Pampa e Mata Atlântica
Projeto: Regenerar Biomas: Mulheres e Agroflorestas Medicinais e Aromáticas no Pampa e Mata Atlântica
Fotografias: Clarissa Londeiro
Maio de 2024. Cerca de vinte dias de chuva deixaram grande parte do Rio Grande do Sul alagada. Quando a chuva passa, com apoio do Fundo Casa, começam a ser viabilizados os encontros da Coletiva Feminista de Destiladoras, rede que reúne 25 mulheres com o objetivo de trocar saberes sobre plantas medicinais.
O mais importante, na oficina, é que elas estejam unidas ao redor da destiladora, máquina que processa as ervas e libera óleos essenciais e hidrolatos. Elas trocam experiências sobre o cultivo das agroflorestas medicinais, sobre a destilação, sobre os múltiplos usos da matéria-prima extraída. Aprendem também a fazer composições químicas, a otimizar processos e a comercializar os vários produtos feitos a partir das plantas de maneira mais eficiente.
Para as agricultoras, o maior impacto do encontro é o de fortalecimento mútuo, uma forma de as mulheres lidarem com as cicatrizes deixadas pela tragédia de 2024. Na Coletiva de Destiladoras as mulheres encontram caminhos para cuidar umas das outras e no campo elas cuidam de terras marcadas pela crise climática, ajudando a, pouco a pouco, regenerar o Pampa e a Mata Atlântica.
Local: Aldeia Kuikuro, Alto Xingu, Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso.
Bioma: Amazônia
Projeto: Ingu helü – Cartilha de alfabetização bilíngue para os povos karib do Xingu
Fotografias: Takumã Kuikuro
O que as palavras de uma língua guardam sobre a cultura a qual pertencem? No Alto-Xingu, crianças indígenas aprendem a ler e a escrever nas escolas da comunidade. Na alfabetização, elas dividem o tempo entre o aprendizado do português e do Kuikuro.
Do outro lado da sala de aula, no entanto, falta apoio e insumo para os professores. Sem materiais didáticos pensados para os povos indígenas, eles precisam reinventar os métodos de ensino.
Para apoiar a educação indígena das crianças Kuikuro, com apoio do Fundo Casa, o Instituto Família do Alto Xingu (IFAX) produz a cartilha Ingu helü: um material distribuído gratuitamente, com ilustrações e verbetes em português e Kuikuro, conectando as palavras ao cotidiano das crianças no Xingu.
Inspirada na metodologia de Paulo Freire, a cartilha guarda mais do que as palavras de uma língua. As páginas da Ingu helü preservam a cultura, a vida, a espiritualidade e os conhecimentos de parte dos povos indígenas brasileiros, para que as crianças aprendam a ler e a escrever, mas, mais que isso, reconheçam e preservem suas origens.
Local: Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão, Macau, Rio Grande do Norte.
Bioma: Mata Atlântica, Caatinga e Mangue
Projeto: Pescadores e Marisqueiras de Mãos Dadas com a RDS Ponta do Tubarão
Fotografias: Araquém Alcântara
Desde que a Comissão de Justiça e Paz da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão recebeu o apoio do Fundo Casa, passou a circular a moeda social batizada de “Cavalo-marinho”. Funciona assim: qualquer comerciante da reserva pode se inscrever no projeto. Uma vez inscritos, eles passam a aceitar os Cavalos-marinhos como moeda de troca em seus estabelecimentos e moradores apoiados pelo Fundo Social criado pelo projeto passam a poder pagar por produtos e serviços usando a nova moeda. Em troca, a cada 100 Cavalos-marinhos arrecadados, os comerciantes devem direcionar um Cavalo-marinho ao Banco Social. A verba repassada ao banco, por sua vez, volta a circular quando redirecionada aos moradores de Ponta do Tubarão, criando um novo ciclo financeiro.
A invenção da moeda, do banco e do fundo servem a um propósito maior: preservar os modos de vida tradicionais da reserva de Ponta do Tubarão. A região preserva as atividades de pesca e de mariscagem artesanais. Gerar renda para os pescadores e as marisqueiras, portanto, é garantir que a comunidade sobreviva e que os conhecimentos sobre a vida no litoral sigam existindo.
Local: Coremas, Paraíba.
Bioma: Caatinga
Projeto: Mulheres quilombolas: colhendo alimentos e nutrindo comunidades do Alto Sertão da Paraíba
Fotografias: Ingrid Veloso
Em Coremas, na Caatinga paraibana, mora um mundo inteiro de saberes. Lá fica o quilombo Santa Tereza, onde, de geração em geração, acumulam-se os aprendizados sobre as plantas, os roçados e os medicamentos que a terra oferece.
Também no quilombo de Santa Tereza, nasceu o primeiro projeto socioambiental proposto pela comunidade e apoiado pelo Fundo Casa. A partir da verba que chega do apoio, as mulheres se dedicam ao trabalho nas hortas e nos roçados. Elas cultivam hortaliças e ervas medicinais, que são vendidas diretamente aos consumidores ou para o hortifruti de Coremas, sem atravessadores.
Para espalhar os saberes sobre as plantas, elas também realizam oficinas voltadas a atender outras mulheres que desejem implementar as técnicas de cultivo dos vegetais. No olhar das alunas, as mulheres de Santa Tereza veem o próprio trabalho valorizado, o que acaba ressoando em mais moradores da região. Nas palavras de Ana Tomaz, quilombola apoiada pelo projeto, “a partir da horta, eles estão nos vendo”.
Local: Cavalcante, Chapada dos Veadeiros, Goiás.
Bioma: Cerrado
Projeto: Diversos projetos apoiados pelo Fundo Casa
Fotografias: Arthur Monteiro
A Brigada Voluntária Ambiental de Cavalcante (Brivac) nasceu da urgência. Os guias turísticos da cidade deixavam o trabalho quando o fogo chegava na Chapada dos Veadeiros. Sem proteção ou treinamentos, eles combatiam o fogo como podiam.
Em 2017, quando os incêndios tomaram novas proporções, os guias receberam o primeiro apoio do Fundo Casa. A Brivac pôde investir na compra de materiais apropriados, que protegessem os brigadistas e ajudassem a cessar o fogo o mais rápido possível.
Com novos apoios e já treinados, os integrantes da instituição capacitaram moradores das áreas rurais para que pudessem iniciar o combate de forma segura quando o fogo chegasse. Assim, formaram-se diversas novas brigadas de incêndio voluntárias pela Chapada.
Com outros apoios, a instituição foi a encontros nacionais e internacionais de brigadas, investiu na educação ambiental, fundou o primeiro Museu do Fogo do Brasil.
Lá, educam sobre como comunidades do Cerrado aprenderam a manejar as chamas de forma segura e eficiente, renovando o ciclo de vida do bioma, para guiar, hoje, a relação entre as pessoas e o fogo.
Local: Surucuá, Pará
Bioma: Amazônia
Projeto: MULHERES: resiliência, perseverança e esperança na floresta.
Fotografias: Priscila Tapajowara
Às margens do Rio Tapajós, no Pará, uma infinidade de frutos amazônicos era cultivado nos quintais dos moradores da comunidade de Surucuá. As longas distâncias até a cidade mais próxima, porém, impediam que a produção ultrapassasse os limites da vila e o excedente acabava desperdiçado.
Em 2020, a comunidade vislumbrou um novo caminho. Com apoio do Fundo Casa, fundaram a Cooperativa Agroextrativista de Surucuá (Cooprasu). Investindo em maquinário, passaram a processar e congelar as frutas, que, resfriadas, puderam viajar pelo rio até a cidade de Santarém, chegando ao consumidor final sem atravessadores.
O trabalho da cooperativa cresceu rápido. Novos apoios possibilitaram a construção de poços artesianos, que hoje abastecem as casas da comunidade e a Agroindústria Florestal. E os horizontes se expandiram ainda mais: preocupados em regenerar a Amazônia, passaram a plantar mudas de árvores frutíferas para reflorestar áreas desmatadas pelo extrativismo, garimpo ou fogo.
Os sonhos, ali, são bem delineados: que os filhos saiam da comunidade, estudem, descubram novos mundos e desenvolvam muitos conhecimentos novos. E, que um dia, voltem para casa, com orgulho de onde vieram. Para contar tudo o que viveram e fazer Surucuá alcançar novos horizontes.
Local: Morro da Babilônia, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Bioma: Mata Atlântica
Projeto: Diversos projetos apoiados pelo Fundo Casa
Fotografias: Bárbara Dias
Em 2016, moradores do Morro da Babilônia decidiram instalar placas solares no telhado de um hostel. O que começou como um experimento para gerar energia, logo evoluiu para se tornar a Revolusolar, ONG que se dedica à construção de uma transição energética justa, inclusiva e popular.
Dois anos depois, veio um momento de virada: com o primeiro apoio financeiro, feito pelo Fundo Casa, a ONG construiu uma usina solar na Escola Comunitária Tia Percília, também no Morro da Babilônia. Mais do que garantir energia para a escola, a conquista representou um novo momento para a instituição.
A Revolusolar passou a unir educação, engajamento comunitário e geração de renda, formando homens e mulheres para trabalhar com energia solar.
Nove anos depois, com outros apoios filantrópicos, a ONG cresceu, chegou a outras comunidades, criou a primeira cooperativa de energia solar do país. Hoje, a Revolusolar indica que o caminho para o sustentar a vida na terra não vem do centro. A solução está nas periferias.